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Voltar Publicada em 09/03/2026

Vieira tenta barrar classificação de facções como terroristas

O ministro das Relações Exteriores, tem atuado nos bastidores para evitar que facções criminosas brasileiras sejam oficialmente classificadas como grupos terroristas

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem atuado nos bastidores para evitar que facções criminosas brasileiras sejam oficialmente classificadas como grupos terroristas. A posição do Itamaraty fundamenta-se na distinção jurídica entre crime organizado e terrorismo, argumentando que a mudança de nomenclatura poderia trazer implicações diplomáticas e operacionais indesejadas para o Brasil no cenário internacional.

Diferenciação Jurídica e Soberania

De acordo com a linha defendida por Vieira, o terrorismo possui motivações ideológicas, políticas ou religiosas específicas, enquanto as facções que atuam no território nacional buscam o lucro através de atividades ilícitas, como o tráfico de drogas e armas. Para o Ministério das Relações Exteriores, o enquadramento atual na Lei de Organização Criminosa já oferece os instrumentos necessários para o combate estatal.

A preocupação da chancelaria brasileira é que a rotulação de "terrorismo" abra precedentes para intervenções externas ou pressões de organismos internacionais que poderiam questionar a jurisdição nacional sobre a segurança pública. Além disso, a classificação impactaria diretamente o tratamento de brasileiros em solo estrangeiro e as relações de cooperação jurídica.

Pressão no Congresso Nacional

O debate ganha força enquanto o Congresso Nacional discute projetos que visam endurecer a legislação. Parlamentares da oposição argumentam que o domínio territorial e o pânico causado por facções em grandes centros urbanos já se assemelham a táticas terroristas.

Por outro lado, o governo mantém a cautela técnica. A estratégia de Mauro Vieira é assegurar que o Brasil mantenha sua autonomia de segurança, tratando a questão como um problema de ordem pública e inteligência policial, evitando a "politização" do termo que poderia isolar o país em fóruns multilaterais ou alterar protocolos de extradição e asilo.

 

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