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Voltar Publicada em 01/08/2020

Sobrecarregados pelo ensino remoto, professores podem adoecer em massa, alerta psicóloga

Pandemia impõe longas jornadas, desafios técnicos e alto nível de cobrança a educadores

"Estudei iluminação, varo madrugadas acompanhando tutoriais de edição de vídeo e montando roteiros. Ligo o computador às 10h e só desligo por volta de meia-noite”. O relato caberia a um youtuber, mas é de uma professora do 1° ano do Ensino Fundamental. Desde a suspensão das atividades presenciais nas escolas de Minas Gerais - condição imposta pela pandemia do novo coronavírus - Beatriz Torres encara o que talvez seja o maior desafio de sua carreira, iniciada há 30 anos: o ensino remoto.

Há cinco meses, ela reinventa métodos, técnicas e recursos para alfabetizar 24 crianças a distância, controlar a natural indisciplina dos alunos em ambiente virtual e ainda se certificar de que eles estão aprendendo. “Fora que estamos falando de uma atividade 80% afetiva. Quem alfabetiza precisa lidar com a criança que vem mostrar o dentinho que caiu. O professor precisa estabelecer com ela uma relação de confiança. Então, além de dar aula, eu disponibilizo meu WhatsApp aos pais, dou uma atenção individualizada, senão, não funciona. E ainda preciso conciliar tudo isso com a rotina familiar”, conta a educadora.

A sobrecarga tem se refletido na saúde emocional dos professores de Minas e do Brasil. Ao menos duas pesquisas realizadas este ano mostram a dimensão do problema. Uma delas, realizada pelo portal Nova Escola, ouviu 8,1 mil educadores de todos os estados brasileiros das redes pública e privada. Segundo o levantamento, divulgado em 21 de julho, 28% dos entrevistados avaliam a própria saúde mental como ruim ou péssima nesse momento. Entre os profissionais mineiros, o percentual é de 32%. A experiência de trabalho remoto no estado foi classificada como ruim ou péssima por 72% dos participantes.

Em maio, outro estudo, conduzido pelo Instituto Península, envolvendo 2,4 mil docentes, desenhou um cenário semelhante: 53% dos respondentes disseram estar muito ou totalmente preocupados com a própria saúde. Muitos também relataram sentimentos como medo, ansiedade e insegurança.